MENDELEEV E A PERIODICIDADE DOS
ELEMENTOS
Dmitri
Mendeleev foi professor universitário na Rússia e fez uma importante
descoberta na história da Ciência enquanto estava escrevendo um livro de
química.
Ele registrou as propriedades de cada
um dos elementos químicos conhecidos (na época eram 63; hoje são mais de 100)
em fichas de papel, cada ficha para um elemento.
Manipulando as fichas, na tentativa de
encadear as ideias antes de escrever uma certa parte da obra, Mendeleev
percebeu algo extraordinário.
Na época, havia evidências científicas
de que os átomos de cada elemento têm massas diferentes. Mendeleev organizou as
fichas de acordo com a ordem crescente da massa dos átomos de cada elemento.
Ele notou que nessa seqüência apareciam, a intervalos regulares, elementos com
propriedades semelhantes. Havia uma periodicidade, uma repetição, nas
propriedades dos elementos.
Entre os muitos exemplos de elementos
com propriedades semelhantes podemos citar:
- Sódio (Na), potássio (K) e rubídio
(Rb) –
reagem explosivamente com a água; combinam-se com o cloro e o oxigênio
formando, respectivamente, compostos de fórmulas ECl e E2O (E
representa o elemento);
- Magnésio (Mg), cálcio (Ca) e estrôncio
(Sr) –
reagem com água, mas não tão violentamente; combinam-se com o cloro e o
oxigênio formando, respectivamente, compostos de fórmulas ECl2 e
EO.
A tabela periódica de Mendeleev
Com base em
sua descoberta, Mendeleev pôde organizar os elementos em uma tabela, na qual
aqueles com propriedades semelhantes apareciam numa mesma coluna.
Elaborando melhor a sua descoberta, ele
percebeu que pareciam estar faltando alguns elementos para que ela fosse
completa. Mendeleev resolveu, então, deixar alguns locais em branco nessa
tabela, julgando que algum dia alguém descobriria novos elementos químicos que
pudessem ser encaixados nesses locais, com base em suas propriedades. Ele
chegou, até, a prever algumas das propriedades que esses elementos teriam.
Mendeleev também percebeu que em alguns
locais da tabela seria melhor fazer pequenas inversões na ordem dos elementos.
Em 1871, ele publicou uma versão melhorada de seu trabalho.
Antes de Mendeleev alguns cientistas já
haviam percebido que alguns grupos de elementos tinham propriedades
semelhantes, mas o mérito do químico russo foi o de organizar os elementos com
base em suas propriedades, realizar pequenos ajustes necessários e deixar
locais para elementos que podiam existir, mas que ainda não haviam sido
descobertos.
Os elementos cuja existência foi
prevista por Mendeleev de fato existem na natureza e foram descobertos alguns
anos mais tarde. E as propriedades desses elementos são iguais ou bastante
próximas daquelas previstas por ele.
A tabela periódica atual
Em 1913 e 1914, o inglês Henry Moseley
fez importantes descobertas trabalhando com uma técnica envolvendo raios X. Ele
descobriu uma característica dos átomos que ficou conhecida como número
atômico.
Nesse momento, basta dizer que cada
elemento químico possui um número que lhe é característico, o número atômico.
Quando os elementos químicos são organizados em ordem crescente de número
atômico, ocorre uma periodicidade nas suas propriedades, ou seja, repetem-se
regularmente elementos com propriedades semelhantes.
Essa regularidade da natureza é
conhecida como lei periódica dos elementos.
Outros cientistas aprimoraram as descobertas de
Mendeleev e de Moseley. Esses aprimoramentos conduziram à moderna tabela periódica dos elementos, que aparecem na tabela abaixo.

Nela, as linhas horizontais são chamadas
de períodos e as colunas (verticais) são denominadas grupos, ou famílias.
A tabela é
constituída de períodos e famílias
A simples localização de um elemento
químico na tabela periódica já pode indicar diversas características
específicas desse elemento.
Os períodos
Os elementos são distribuídos na tabela
em ordem crescente da esquerda
para a direita em linhas horizontais, de acordo com o número atômico (Z) de cada elemento, que
fica acima de seu símbolo.
Observe a tabela acima. Na tabela há
sete linhas horizontais, que são denominadas períodos.
Os períodos indicam o número de camadas
ou níveis eletrônicos que o átomo possui. Por exemplo, o potássio (K) está
localizado no quarto período, e o césio (Cs), no sexto. Isso significa que na
distribuição eletrônica o potássio possui quatro camadas ou níveis eletrônicos
e o césio possui seis.
O paládio (Pd) é uma exceção: apesar de
estar na quinta linha horizontal, só possui quatro camadas ou níveis
eletrônicos.
Os elementos de um mesmo período
possuem o mesmo número de camadas eletrônicas, que por sua vez é coincidente
com o número do período. Por exemplo:
|
Período
|
Nº de camadas
|
Camadas
|
||||||
|
1
|
1
|
K
|
||||||
|
2
|
2
|
K
|
L
|
|||||
|
3
|
3
|
K
|
L
|
M
|
||||
|
4
|
4
|
K
|
L
|
M
|
N
|
|||
|
5
|
5
|
K
|
L
|
M
|
N
|
O
|
||
|
6
|
6
|
K
|
L
|
M
|
N
|
O
|
P
|
|
|
7
|
7
|
K
|
L
|
M
|
N
|
O
|
P
|
Q
|
As famílias
Observe que na tabela periódica existem
18 linhas verticais ou colunas. Elas representam as famílias ou os grupos de
elementos químicos.
Acima das colunas existem números (1,
2, 3 etc.).
Cada coluna representa uma família; por
exemplo:
- 1 é a família dos metais alcalinos;
- 2 é a família doa alcalinos terrosos;
- 18 é a família dos gases nobres.
Cada família química agrupa seus
elementos de acordo com a semelhança nas propriedades. Por exemplo, a família
11 é composta pelos elementos químicos cobre (Cu), prata (Ag) e ouro (Au). Eles
fazem parte do grupo dos metais e apresentam características comuns: brilho
metálico, maleabilidade, ductibilidade, são bons condutores de calor e de
eletricidade.
Assim com esses outros elementos, de
uma mesma família possuem semelhanças em suas propriedades.
O número de
algumas famílias indica quantos elétrons o elemento químico possui na última
camada de sua eletrosfera. Acompanhe a seguir, alguns
exemplos.
- O sódio (Na) está na família 1, isto é, possui um elétron na última
camada de sua eletrosfera.
- O magnésio (MG) está na família 2, isto é, possui um elétron na
última camada de sua elétrosfera.
- O alumínio (Al) encontra-se na família 3, pois esse elemento possui
três elétrons na última camada de sua elétrosfera.
|
|
Os elementos químicos situados nas famílias 1 e 2 possuem o número de
elétrons na última camada igual ao número da família a qual pertencem.
Para os das famílias 13 até 18, obtêm-se o número de elétrons na
última camada, subtraindo-se 10 do número da família. Nas demais famílias
essa regra não pode ser aplicada.
O hélio, apesar de estar na família 18, apresenta apenas dois elétrons
na última camada, pois esse elemento possui apenas dois elétrons.
|
Metais, não-metais e semimetais
Na tabela periódica mostrada
anteriormente os elementos destacados em amarelo formam substâncias simples com algumas
propriedades razoavelmente semelhantes. Essas substâncias, de modo geral, conduzem bem a corrente elétrica e o calor, são
facilmente transformadas em lâminas e em fios e são sólidas nas condições
ambientes (isto é, 25ºC de temperatura e pressão equivalente ao valor médio da
pressão atmosférica ao nível do mar), exceção feita àquela substância formada
pelo mercúrio (Hg), que é
líquida. Esses elementos são denominados metais.
Os elementos destacados em rosa e em azul formam substâncias simples que, ao contrário, não conduzem bem o
calor nem a corrente elétrica (exceto o carbono na forma da substância simples
o grafite), não são facilmente transformadas em lâminas ou em fios. Tais
elementos são denominados não-metais (alguns os chamam de ametais). Dos
não-metais, onze foram substâncias simples gasosas nas condições ambientes
(hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, flúor, cloro e gases nobres) uma forma
substância líquida (bromo) e os demais formam substâncias simples sólidas.
Os elementos dos quadrinhos
amarelos são os semimetais, assim denominados porque apresentam
propriedades “intermediárias” entre a dos metais e a dos não-metais. Eles
formam substâncias simples sólidas nas condições ambientes. Dois semimetais de
muita importância prática são o silício e o germânio, empregados em componentes
eletrônicos.
Gases nobres: modelo de estabilidade
Todas as substâncias químicas são
formadas por átomos de elementos químicos. Os cientistas observaram que a
imensa maioria das substâncias conhecidas é formada por átomos combinados,
unidos. Ás vezes são átomos de um mesmo elemento, às vezes de elementos diferentes.
Dos milhões de substâncias conhecidas,
sabe-se de apenas seis nas quais existem átomos não combinados. Essas
substâncias são o hélio, o neônio, o xenônio, o argônio, o criptônio e o
radônio, gases presentes em pequena quantidade na atmosfera terrestre. Esses
gases são formados por átomos não combinados dos elementos do grupo 18 da
tabela periódica (He, NE, Ar, Kr, Xe, RN), chamado grupo dos gases nobres.
Além disso, até hoje não foi descoberta
sequer uma substância natural na qual átomos de gases nobres estejam combinados
entre si ou com átomos de outros elementos.
Essas observações forneceram pistas aos
cientistas, no final do século XIX e no início do século XX, para começarem a
esclarecer como os átomos se combinam. Já que a eletrosfera é a parte mais
externa dos átomos e o núcleo é muito pequeno, parece razoável ser a
eletrosfera que atua na combinação dos átomos. E já que os gases nobres não
tendem a se combinar, tudo indica que possuir uma eletrosfera semelhante à de
gás nobre permite a um átomo estabilizar-se.
Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Oitava_quimica/atomo10.php
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